O lado obscuro que evitamos enxergar
Todos buscamos a paz e a tranquilidade interior. Aquela serenidade que não se deixa abalar por emoções passageiras ou pelos acontecimentos do mundo. Essa paz costuma ser conquistada com a maturidade e, muitas vezes, apenas na velhice. Em alguns casos, nem mesmo o passar dos anos é suficiente para alcançá-la.
O autoconhecimento é um caminho desafiador. Frequentemente reconhecemos nossas qualidades, mas ignoramos — ou fingimos não enxergar — nossos defeitos. No entanto, esse lado obscuro da personalidade, que tanto insistimos em esconder, pode ser justamente a chave para a nossa cura.
O problema é que não queremos mexer ali. Permitir que esse lado venha à tona parece o mesmo que cutucar uma casa de marimbondos. E então surge o medo: o que fazer com tudo o que aparecer? Muitas vezes, não sabemos lidar com essas emoções. Na verdade, nem queremos. Dói demais perceber que não temos controle sobre tudo.
Como quase tudo na vida, essa também é uma escolha. Podemos optar por não mexer nessa casa e deixá-la onde está. Porém, não estamos aqui apenas de passagem, e aquilo que evitamos enfrentar costuma reaparecer quando menos esperamos. De repente, tudo explode. A paz desaparece e a tranquilidade escorre pelos dedos.
Isso acontece porque existem gatilhos escondidos em nosso eu mais profundo. Eles são acionados por comentários, atitudes ou situações que interpretamos como ofensivas ou maldosas. Muitas vezes, porém, a outra pessoa sequer imagina o impacto que causou. Ainda assim, reagimos com intensidade, ficamos exasperados e perdemos nosso equilíbrio até que a tempestade passe e a paz retorne, ainda que temporariamente.
Quando começamos a compreender que os desafios não surgem para nos destruir, mas para promover nosso crescimento, podemos romper esse ciclo. Para isso, precisamos encará-los de frente, em vez de assumir tudo como algo pessoal. Somente assim conseguiremos sair desse padrão repetitivo e iniciar um caminho mais leve, feliz e próspero.
Você tem a opção de não cutucar a casa de marimbondos. Mas, ao fazer isso, também corre o risco de não viver plenamente tudo o que deseja e precisa viver. Além disso, deixará um espaço reservado para que esses marimbondos continuem ferroando você sempre que estiver distraído.
Por isso, caros leitores, minha sugestão é: cutuquem a casa. Retirem-na do lugar. Ateiem fogo ao que já não serve e transformem tudo em aprendizado. Como diz minha mestra: vamos ressignificar.
Quando deixamos de nos enxergar como vítimas das circunstâncias e assumimos o papel de protagonistas da própria jornada, damos o primeiro passo rumo à verdadeira liberdade.
Soraia F. Navarro














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