Vidas paralelas não estão distantes. Elas coexistem.

 



 E se, neste exato momento, outra versão de você estava vivendo uma vida completamente diferente em outro mundo?

Essa pergunta atravessa as fronteiras entre ciência, espiritualidade e autoconhecimento. Não como ficção, mas como uma possibilidade íntima, silenciosa e profundamente transformadora. Na visão do multiverso, a realidade não é única nem linear. Ela se desdobra. E, nesse desdobramento, a consciência também se expande.

Imagine uma alma não como uma entidade fixa, mas como um fractal de consciência: um núcleo essencial que se manifesta em múltiplas experiências simultâneas, cada uma de escolhas, caminhos e aprendizados diferentes. Essas versões não são cópias, são expressões. Cada uma carrega uma parte da verdade, uma frequência específica de aprendizagem, uma resposta diferente à mesma pergunta existencial. O rostos das almas são diferentes, a essência vibra igual, mas os cenários mudam.

Quando essas versões se aproximam, isso pode acontecer tanto no tempo cronológico quanto no campo da consciência. O reconhecimento surge pelo olhar interno, pela sensação de familiaridade ou por um arrepio sem causa aparente. No entanto, nem sempre esses encontros são suaves. Pode surgir competitividade, atração ou o desejo de ter aquilo que o outro tem. Esse desejo pode ser explorado como sede de conhecimento ou pode se transformar em uma atração profunda, quase como uma vontade de fusão, o impulso de reunir partes separadas da mesma alma.

Esses encontros podem gerar conflitos, mas também carregam um enorme potencial de cura quando atravessados ​​pelo autoconhecimento. Talvez os conflitos que sentimos hoje não nasceram apenas do agora. Talvez sejam ecos de outras escolhas. Vidas em que dissemos “sim” quando hoje dizemos “não”. Caminhos em que partimos quando, nesta versão, permanecemos. O desconforto, então, não é proteção. É convite. Um chamado para acolher todas as versões que somos.

A verdadeira cura não exige apagar linhas do passado nem negar possibilidades paralelas. Ela acontece quando nos integramos. Quando reconhecemos a versão que ousou, a que recuperou, a que caiu e a que transcendeu. Todas pertencem ao mesmo campo de consciência. Cabelos diferentes, vidas diferentes, mas a mesma origem.

O desafio é justamente essa integração, pois orgulho e ego, muitas vezes, não permite o verdadeiro aprendizado. O universo, cheio de portais invisíveis, não separa. Ele conecta. Ainda assim, a primeira ocorrência costuma ser o afastamento — por medo, por não suportar a convivência com aquilo que espelha nossas próprias sombras e potências.

Fraturas de um mesmo podem ser repelidas quando o ego está inflado. Às vezes, saber o que precisa ser feito não significa compreender, e esse entendimento é um caminho longo. Quando esses fractais se encontram, querem se separar e, ao mesmo tempo, se unir. E, muitas vezes, deixar o ego de lado é o passo essencial para que a integração aconteça.

 Soraia F.Navarro


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